sábado, 31 de março de 2012

Glutamina e Permeabilidade Intestinal


GLUTAMINA E PERMEABILIDADE INTESTINAL

- ACHESON, D. W. K. and LUCCIOLI, S. Mucosal immune response. Best Pract. Res. Clin. Gastroenterol. , v. 18, p. 387-404, 2004.

- ANDREWS, F. J. And GRIFFITHS, R. D. Glutamine: essencial for immune nutrition in critically ill. Br. J. Nutr. , v. 87, p.S3-S8, 2002.

- BERG, R. D. Bacterial translocation from the gastrointestinal tract. Trends Microbiol. , v.3, p. 149 – 154, 1995.

(Artigo elaborado por Rosana das Graças Carvalho dos Santos - Farmacêutica)

Artigo resumido pelo Nutricionista Reinaldo José Ferreira – CRN 6141
reinaldonutri@gmail.com
www.suplementacaoesaude.blogspot.com

Vários tecidos e células no organismo utilizam a glutamina em alta taxa. Entre eles incluem-se o intestino, os rins, o fígado, os neurônios no sistema nervoso central, as células hematopoiéticas e do sistema imunológico e as células do pâncreas (células beta). Sob condições fisiológicas e em estado pós-operatório, o intestino delgado é o principal órgão consumidor de glutamina.
Metabolicamente a mucosa do intestino delgado é caracterizada por alto consumo de glutamina, que serve como fonte metabólica para os enterócitos e é fator principal para a manutenção da função e da integridade intestinal.

A glutamina é um aminoácido essencial em situações de injúria, nas quais a disfunção da barreira gastrointestinal predispõe ao aumento da permeabilidade do intestino e promove a translocação bacteriana.
Dietas especializadas contendo nutrientes imunomoduladores, como a glutamina, têm mostrado efeitos benéficos na diminuição da incidência de complicações sépticas. Esses efeitos são resultantes da possibilidade de modulação de funções metabólicas, imunológicas e inflamatórias.

A glutamina, tradicionalmente considerada aminoácido não essencial, é o aminoácido mais abundante no plasma e músculo esquelético de indivíduos saudáveis.
No entanto, em situações de injúria, se torna nutriente condicionalmente essencial. É a fonte preferencial de combustível para enterócitos, linfócitos e macrófagos, melhorando a resposta imunológica e a função da barreira intestinal, com consequente redução da translocação bacteriana. Participa também do equilíbrio ácido básico e é precursora da glutationa.

A ação da glutamina na proteção da barreira intestinal pode ser exercida pelo aumento da glutationa, que age como varredora das espécies reativas de oxigênio, diminuindo assim a formação de radicais livres. Além disso o balanço oxidante antioxidante leva a expressão de genes envolvidos na resposta pró-inflamatória.
Diminuição na concentração de glutamina circulante em estados catabólicos contribui para quebra na barreira da mucosa intestinal e possível translocação bacteriana, com desenvolvimento de sepse e falência múltipla de órgãos.
A translocação bacteriana é um processo definido como a passagem de bactérias viáveis e não viáveis, bem como seus produtos, do lúmen intestinal para linfonodos mesentéricos, corrente sanguínea e órgãos distantes como fígado e baço.

O trato gastrointestinal é potencialmente a fonte mais importante da translocação bacteriana. Geralmente bactérias Gram negativas facultativas translocam mais facilmente do que as bactérias anaeróbicas e Gram positivas.
A prevalência da translocação bacteriana em humanos é de 15% e os fatores que promovem o processo são o crescimento bacteriano exagerado, imunossupressão, alteração da barreira intestinal, atrofia da mucosa e/ou aumento da permeabilidade.

Ação intestinal e imunológica da glutamina:

A mucosa intestinal dos mamíferos é o tecido corporal de mais rápida replicação.
A renovação (turnover) das células epiteliais do intestino (proliferação, migração, diferenciação e apoptose) e dos constituintes da barreira intestinal são processos dinâmicos afetados pelo estado nutricional e, pela adequação de nutrientes específicos da dieta.
A glutamina é reconhecida como importante componente dietético e atua como agente trófico para enterócitos, mantém a integridade da mucosa e, consequentemente, reduz a possibilidade de quebra da barreira gastrointestinal.
Em situações de estresse a utilização de glutamina pelas células intestinais aumenta significativamente, devido ao estresse oxidativo e à depressão das defesas imunológicas.

A suplementação de glutamina em nutrição enteral e parenteral melhora o crescimento, o reparo, a função da mucosa intestinal e o balanço nitrogenado em caso de atrofia intestinal e injúria em animais e humanos.
Durante o estado de morbidade, o intestino é o órgão alvo da injúria, que se manifesta pela alteração da função das células intestinais e aumento da permeabilidade, seguido de hipoxia, estresse oxidativo e exposição a citocinas.
Foi demonstrado num estudo clínico randomizado, que a suplementação parenteral de glutamina diminui a incidência de infecção pós-operatória e de abscesso intra-abdominal.

A terapia ideal para prevenir a injúria e a subsequente síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS), deve ser aquela que atenua a elaboração de mediadores pró-inflamatórios pelas células do sistema imunológico associada ao intestino. Sendo assim a imunonutrição tem papel fundamental na terapia nutricional, por influenciar na resposta imunológica.
A glutamina é conhecida por modular a função imunológica celular e a produção de citocinas. Desta forma a deficiência de glutamina em estados críticos está associada com resposta imunológica prejudicada e aumento da susceptibilidade à infecção. Isso ocorre em função da utilização da glutamina, em altas taxas, por células isoladas do sistema imunológico como os macrófagos, os linfócitos e os neutrófilos.

A ativação dos macrófagos in vivo ou in vitro leva ao aumento significativo da utilização de glutamina. O fornecimento de glutamina exógena para animais ou humanos infectados ou estressados pode elevar a concentração plasmática ao nível fisiológico e melhorar a resposta imunológica.
Fatores inflamatórios, como citocinas, leucotrienos e catecolaminas contribuem para a resposta ao catabolismo. Células estimuladas por moléculas pró-inflamatórias amplificam a elaboração de outras citocinas e o efeito combinado resulta em aumento da permeabilidade intestinal.

A permeabilidade intestinal após injúria é a causa potencial de mediadores pró-inflamatórios sistêmicos, que pode contribuir para a patogênese da síndrome da resposta inflamatória sistêmica.
O intestino, além de ser importante na absorção de nutrientes, age também na defesa do organismo. A superfície do enterócito funciona como um sensor do micro ambiente luminal. Secreta quimiocinas e citocinas que alertam e direcionam a resposta imunológica para o local da infecção.
Aproximadamente um quarto da mucosa intestinal é tecido linfóide.
O tecido linfóide associado ao intestino (GALT) é formado por quatro componentes: os linfócitos intra-epiteliais, as células linfóides da lâmina própria, as placas de Peyer e o linfonodo mesentérico. As funções do GALT estão associadas a características peculiares, representando em torno de 50% do total da imunidade corporal e produzindo a maior parte das imunoglobulinas na forma de IgA. Esta é a principal componente da imunidade específica.

O GALT é o principal contribuinte para a proteção imunológica primária da mucosa. A gênese para a imunidade da mucosa está na placa de Peyer, que processa antígenos intraluminais e estimula as células B e T a esses antígenos. As placas de Peyer são agregados linfóides especializados. Os linfócitos são sensibilizados dentro da placas de Peyer proliferam no linfonodo mesentérico e migram, via ducto torácico, para a lâmina própria de vários sítios na mucosa onde é produzido a IgA secretória.
Pesquisas mostram que a suplementação de glutamina aumenta a IgA secretória e a proliferação dos linfócitos totais no GALT após ligação e punção cecal.

Outro estudo investigou a capacidade funcional e a exudação de neutrófilos polimorfonucleares (PMNs) e macrófagos na cavidade peritoneal em resposta ao estímulo inflamatório em ratos suplementados com glutamina na nutrição parenteral total (NPT). Foi observado que a glutamina aumenta a funcionalidade do GALT e atenua a resposta inflamatória na cavidade peritoneal, visto que, em relação ao grupo alimentado com glutamina, o grupo sem suplementação apresentou menor exudação de PMNs e macrófagos.
Estes são importantes na eliminação de bactérias no estágio precoce da infecção peritoneal.

Nutrientes e Imunonutrição:

- Calder PC & Yaqoob P (1999) Glutamine and the immune
system. Amino Acids 17, 227–241.

- Popovic PJ, Zeh HJ & Ochoa JB (2007) Arginine and immunity.
J Nutr 137, 1681S–1686S.

- Calder PC & Yaqoob P (2004) Amino acids and immune function.
In Metabolic and Therapeutic Aspects of Amino Acids in
Clinical Nutrition, pp. 305–320 [LA Cynober, editor]. Boca
Raton: CRC Press.

- Calder PC (2003) N-3 polyunsaturated fatty acids and inflammation:
from molecular biology to the clinic. Lipids 38, 342–352.

Glutamina:
É o aminoácido mais abundante no sangue e no pool de aminoácidos livres; é um importante combustível para as células do sistema imune; as concentrações de glutamina plasmática e intramuscular diminuem no pós-operatório, na sepse, no câncer, na caquexia e nas queimaduras.
Em experiências com animais a glutamina melhorou a função das células T, a resistência a patógenos infecciosos e melhorou a integridade intestinal (infecções; endotoxemia).

Arginina:
Envolvida na síntese de proteínas, uréia, nucleotídeos e na geração de ATP; precursora do óxido nítrico, um potente imunomodulador e mediador do fluxo sanguíneo, o qual é citotóxico para células tumorais e alguns micro-organismos.
A arginina é precursora para a síntese de poliaminas; que possuem um papel chave na replicação do DNA, na regulação do ciclo e divisão celular.
Em experiências com animais a arginina diminuiu a involução do timo associada ao trauma (o timo exerce uma importante função no sistema imune), promoveu a proliferação celular do timo e dos linfócitos, melhorou a atividade das células Natural Killer e a citotoxicidade dos macrófagos, a resistência a infecções bacterianas, melhora acentuada nos quadros de sepse, queimaduras e feridas.
Em adultos saudáveis a arginina promove a proliferação de linfócitos no sangue (os linfócitos são células exterminadoras do sistema imune).

N - Acetilcisteína:
A cisteína é o componente de um de nossos principais antioxidantes, a glutationa; as concentrações de glutationa nas células do fígado, pulmão, intestino delgado e sistema imune caem em resposta à inflamação e esta queda pode ser evitada em alguns órgãos pela suplementação de cisteína.
A glutationa aumenta a atividade das células T, melhora a função imunológica celular e diminui a produção de citocinas inflamatórias.

Ácidos graxos Ômega-3:
O excesso de ácido araquidônico (Ômega-6) pode promover processos inflamatórios e suprimir a imunidade; o ácido araquidônico derivado dos eicosanóides estão associados ao trauma, as queimaduras e a síndrome do desconforto respiratório agudo; o ômega-3 possui uma ação oposta por sua ação antiinflamatória, reduzindo a incidência de doenças e fatores inflamatórios como as citocinas e os eicosanóides e ainda aumentando a produção de substâncias antiinflamatórias como as resolvinas.

Oligoelementos:
Os oligoelementos cobre, zinco e selênio são componentes de enzimas antioxidantes importantes e na manutenção dos mecanismos antioxidantes de defesa.
Pacientes pós-cirúrgicos apresentam baixos níveis destes nutrientes, apresentando maior susceptibilidade as infecções.
Os estudos indicam que a suplementação destes nutrientes melhora o sistema imune do paciente.

Taurina:
A Taurina está presente em concentrações elevadas na maioria dos tecidos e, particularmente em células do sistema imune; ela contribui com 50% do pool de aminoácidos livres dentro do linfócito e é o mais abundante composto nitrogenado livre no mesmo, estudos em animais mostram que a taurina impede o declínio no número de células T observadas no envelhecimento e aumenta a resposta proliferativa dos linfócitos T; nos neutrófilos a taurina mantém a capacidade fagocitária.
Nos seres humanos as concentrações plasmáticas de taurina encontram-se reduzidas no trauma e na sepse.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Leucina: Eficaz para Endurance e Treinamento com Pesos


LEUCINA: EFICAZ PARA ENDURANCE E TREINAMENTO COM PESOS.

Texto editado por Jessica Patella, ND.
(www.awarenesswellness.com)

- Pasiakos S, et al. Leucine-enriched essential amino acid supplementation during moderate steady state exercise enhances post-exercise muscle protein synthesis. Am J Clin Nutr 2011; 94: 804-18.

- Phillips SM, et al. Mixed muscle protein synthesis and breakdown after resistance exercise in humans. Am J Physiol 1997; 273: E99-107.

- Dreyer HC, et al. Leucine-enriched essential amino acid and carbohydrate ingestion following resistance exercise enhances mTOR signaling and protein synthesis in human muscle. Am J Physiol Endocrinol Metab 2008; 294: E392-400.

Artigo traduzido pelo Nutricionista Reinaldo José Ferreira CRN – 6141
reinaldonutri@gmail.com
www.suplementacaoesaude.blogspot.com

Os efeitos do exercício de resistência, tais como o levantamento de peso, para o crescimento muscular têm sido amplamente estudado. O crescimento da célula muscular pode durar até 48 horas após exercícios de resistência e a suplementação de aminoácidos essenciais aumenta esse crescimento. No entanto, há pouca pesquisa sobre os efeitos do exercício de resistência como corrida de longa distância e sua relação com o desenvolvimento muscular.
Um estudo recente publicado no The American Journal of Clinical Nutrition foi um dos primeiros estudos a sugerir que a suplementação com aminoácidos essenciais enriquecidos com leucina durante o exercício de endurance pode aumentar a recuperação e o crescimento muscular.

A pesquisa incluiu 10 militares da ativa que participaram regularmente em endurance (corrida e marcha) e exercícios de resistência (musculação). A intenção dos investigadores foi principalmente ver se havia uma diferença em consumir um suplemento de aminoácidos essenciais (EAA) ou um suplemento de aminoácidos essenciais enriquecido com leucina (L-EEA). O estudo foi de 13 dias (aleatório cruzado), ou seja, os participantes tomaram tanto o EEA eo L-EEA com um período de washout de uma semana, durante o qual eles não tomar quaisquer suplementos.


Os participantes foram submetidos a 60 minutos de exercício constante de resistência em uma bicicleta (cerca de 60% do VO2 máximo). Durante o exercício, os participantes beberam 125 ml de qualquer suplemento L-EEA ou EAA em intervalos de 20 minutos durante todo o intervalo de 60 minutos de exercício.
As amostras da biópsia muscular foram tiradas 30 minutos e 210 minutos após o exercício. A bebida de L-EEA fornecia 3,5 g de leucina e a bebida de EAA fornecia 1,87 g de leucina. Ambas as bebidas forneciam um total de 10g de aminoácidos essenciais.

O crescimento muscular pós-exercício (síntese de proteína muscular) foi 33% maior com o suplemento L-EEA (0,08 + / - 0,01% / h) em relação ao suplemento EAA (0,06 + / - 0,01% / h; P <0,05). E as concentrações sanguíneas de leucina foram 31% maior com o suplemento L-EEA (232 + / - 15 micromol / L) em relação ao EEA (176 + / - 13 micromol / L, P <0,05).
Este foi o primeiro estudo a mostrar que a ingestão de leucina durante o exercício de endurance provoca um aumento do tecido muscular e acelera sua recuperação. Estudos anteriores que suplementaram a leucina em repouso e após o exercício não mostraram nenhum crescimento muscular.

É provável que a suplementação de L-EEA durante o exercício poupe os estoques de proteína no organismo mais do que somente os EAA; o que estimula um maior crescimento muscular durante a recuperação.

Em conclusão, a suplementação com uma bebida de aminoácidos essenciais enriquecida com leucina durante o exercício de endurance estimula o crescimento do tecido muscular. Isto é importante para todos os atletas que praticam esportes de endurance como também no treinamento de musculação.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Assessoria Individualizada

Aos interessados em Assessoria Individualizada, disponibilizamos nosso contato para a elaboração de um trabalho de Dieta, Treino e Suplementação voltados para objetivos específicos voltados a treinamento de alto nível para todos os esportes, estética, saúde e qualidade de vida.

Segue abaixo nosso contato

rafaelbracca@hotmail.com


Professor Esp. Rafael Bracca
CREF 074023-G/SP
CONSULTOR TÉCNICO DE PRODUTOS INTEGRALMEDICA
PALESTRANTE DE CONGRESSOS INTERNACIONAIS EM NUTRIÇÃO ESPORTIVA
TREINADOR DE ATLETAS CAMPEÕES
PÓS-GRADUANDO EM NUTRIÇÃO ORTOMOLECULAR

Dr. Reinaldo Ferreira
CRN3 – 6141
NUTRICIONISTA ESPORTIVO
ESPECIALISTA EM NUTRIÇÃO ESPORTIVA AVANÇADA
NUTRICIONISTA DE ATLETAS DE ALTO NÍVEL



Vídeo de Treinamento com Rafael Bracca e a atleta campeã Daniele Oazen
http://www.youtube.com/watch?v=98_0cWjVFOQ


Canal de treinos insanos com Rafael Bracca

http://www.youtube.com/user/drikastecca

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Laranja Amarga e Termogênese


Laranja Amarga: Um Suplemento alternativo à efedrina para perda de gordura corporal.

- Colker, C.M., Kalman, D.S., Torina, G.C., Perlis, T. and Street, C., 1999, Effects of Citrus aurantium extract, caffeine, and St. Johns Wort on body fat loss, lipid levels, and mood states in overweight healthy adults. Curr. Ther. Res., 60,145-153.
- Hedrei, P and Gougeon, R., 1997, Thermogenic effect of B-sympathicomimetic compounds extracted from Citrus aurantium. McGill Nutrition and Food Science Center, Royal Victoria Hospital.
Por Jim English – Diretor VRP (www.vrp.com)

Artigo traduzido pelo Nutricionista Reinaldo José Ferreira CRN – 6141
reinaldonutri@gmail.com
www.suplementacaoesaude.blogspot.com

LARANJA AMARGA (Cítrus Aurantium):

As Laranjas estão entre as variedades mais estimadas e consumidas de fruta. Nativas do sudeste da Ásia, elas foram importadas originalmente da Arábia no Século IX. Por volta do Século XII foram cultivadas amplamente na Espanha e exportadas ao longo de toda Europa. Enquanto a laranja moderna é estimada pelo doce sabor de seu suco e polpa, outra variedade era conhecida pelo seu sabor amargo, sendo então chamada de Laranja Amarga (Cítrus Aurantium). A laranja amarga foi cultivada por vários séculos, mas atualmente foi substituída em grande parte por variedades mais suculentas, mais doces, como a laranja de Valencia.

Apesar do interesse por variedades mais apetitosas, os pesquisadores mostraram grande interesse em uma laranja humilde e amarga depois de descobrir que o Cítrus Aurantium contém vários alcalóides naturais que de uma maneira saudável e segura ajudam a aumentar a perda de gordura corporal. Melhor de tudo, o Cítrus Aurantium faz essa maravilha sem provocar nenhum efeito colateral.

Uma Cura Antiga:
Durante séculos a laranja amarga foi altamente valorizada por ser um alimento com propriedades medicinais. Na China antiga foram usadas laranjas amargas mas ainda não amadurecidas para fazer shi de zhi, um extrato herbário que tratava de constipação, e também para melhorar a energia (disposição) e acalmar nervos em casos de insônia e choque. Na floresta tropical Amazônica, tribos indígenas usavam chá de laranja amarga como um laxante, para aliviar náuseas, dores de estômago, indigestão, gases e constipação.

Na Medicina Ocidental os primeiros benefícios da laranja foram notados em 1746 quando o cirurgião naval escocês James Lind notavelmente demonstrou que consumindo frutas cítricas, como laranja e limão, a prevenção do escorbuto era completa, uma doença que matou milhares de marinheiros em todo o mundo. O que Lind não sabia na ocasião, era que laranjas e frutas cítricas são uma rica fonte de vitamina C (ácido ascórbico), um dos primeiros antioxidantes.

Aminas Adrenérgicas:
Até recentemente a efedrina, um alcalóide extaído da planta ma huang era considerado um dos agentes naturais de perda de peso mais efetivos e disponíveis para uso. A nível celular a efedrina, o ingrediente ativo principal da ma huang, é um agente adrenérgico poderoso que ativa dois tipos de receptores celulares chamados de alfa e beta, que estimulam a lipólise; que é a quebra da gordura em ácidos graxos livres e glicerol e a termogênese (aumento da temperatura corporal no tecido muscular e no tecido adiposo). Os receptores Alfa e Beta estão presentes na superfície de todas as células do corpo e normalmente respondem aos efeitos estimulatórios das duas aminas adrenérgicas primárias (contendo combinações com nitrogênio), que são produzidas pelo corpo, e são elas, a adrenalina e a noradrenalina. A resposta celular específica para aminas adrenérgicas é determinada pela localização, número e tipo de receptores alfa e beta: alpha-1 e -2, e beta-1, -2, e -3. Em geral, os receptores celulares e suas respostas são descritas a seguir:

· Alpha-1: causa a constrição das artérias e o aumento da pressão sanguínea.
· Alpha-2: afeta pressão sanguínea constringindo os vasos sanguíneos periféricos(vasoconstrição), inibindo a lipólise.
· Beta-1: afeta a função cardíaca, causa broncodilatação e vasodilatação no coração e músculos.
· Beta-2: afeta função cardíaca, causa broncodilatação e vasodilatação no coração e músculos.
· Beta-3: aumento da taxa de quebra de gordura corporal armazenada (lipólise) e aumento da taxa metabólica basal (termogênese).


O Alfa (e Beta) da Efedra:
Enquanto mostrou-se que a efedrina é um agente efetivo para ativar a termogênese, um dos problemas com o seu uso foi a super excitação de sistema cardiovascular e do sistema nervoso central em certos indivíduos. A efedrina é uma ótima opção para perda de gordura, mas tem que ser usada com cautela em pessoas que apresentam alta sensibilidade à mesma. Uma boa opção seria começar com doses baixas, e aos poucos aumentar a dose, observando sempre o batimento cardíaco e o estado de excitação.

Extrato de Laranja Amarga e sua Efetividade:
Recentemente investigadores de Universidade de McGill em Montreal isolaram cinco aminas adrenérgicas da laranja amarga (Cítrus aurantium): sinefrina, N-metil-tiramina, hordenina, octopamina, e tiramina. Enquanto estes alcalóides são semelhantes aqueles achados na efedrina, eles trabalham de uma maneira diferente nos receptores para estimular a lipólise e a termogênese.

Testes de laboratório acharam que os alcalóides da Laranja amarga têm propriedades semelhantes à efedrina, ativando os beta-receptores. Mais recentemente, estudos mostraram que a octopamina e a sinefrina parecem particularmente efetivos em estimular a lipólise, um efeito beta-receptor postulado. Outros investigadores previamente revelaram que a sinefrina era aproximadamente 3.5 vezes mais efetiva em estimular a lipólise em relação a octopamina; os pesquisadores concluíram que a mistura de alcalóides no extrato laranja amarga é eficaz em estimular a perda de gordura.

Em Estudos iniciais em voluntários magros e obesos foi notado uma excelente resposta a termogênese com o uso do extrato da laranja amarga (Advantra Z®), sem mostrar evidência de taxa aumentada de batimento cardíaco, pressão sanguínea ou excessiva excitação do sistema nervosa central. Um estudo clínico realizado por Colker et al. demonstrou excelentes resultados na perda de gordura corporal com uma ausência total de efeitos colaterais.



Aminas Cítricas seletivas para os beta-3 Receptores:
As aminas contidas na efedra - adrenalina e noradrenalina são altamente lipofílicas e isto significa que elas facilmente cruzam as membranas gordurosas que constituem a barreira sangue-cérebro. Uma vez passado esta barreira protetora, adrenalina e noradrenaline atingem os receptores alpha-1 and-2 e beta-1, -2, e -3 causando os mesmos efeitos da anfetamina no sistema nervoso central e cardiovascular sendo estes os efeitos da ma huang.

Observando a ação das aminas da laranja amarga, os pesquisadores perceberam que elas tem um contato mínimo com os receptores alfa e beta-1 e -2, mas mostra um efeito adrenérgico importante, agindo exclusivamente nos receptores beta-3 para estimular a lipólise e aumentar a taxa do metabolismo basal.

Efeito importante na manutenção da Massa Magra:

Pesquisas recentes sugerem que aumentando a lipólise e utilizando as gorduras armazenadas como combustível, o extrato da laranja amarga fornece energia necessária para a manutenção do esforço físico contínuo e também do tônus muscular. Além disso os investigadores acreditam que esta dupla ação de estimular a termogênese e a lipólise ajudam aumentar a quantidade de ácidos graxos livres retirados dos estoques de gordura corporal, assim o precioso tecido muscular magro normalmente também perdido em dietas para perda de peso, recebe uma importante ajuda e é preservado ao máximo.

Resumo:
O extrato de laranja amarga (Advantra Z¨) é uma alternativa excepcional a ma huang. Seguro e natural, o extrato funciona de quatro modos específicos:

Aumento da lipólise (quebra da gordura corporal estocada para ser usada como combustível)
Perda de peso estimulada pelo aumentando da termogênese (a termogênese dissolve tecido adiposo);
Aumenta os combustíveis disponíveis para utilização na atividade física; e
ajuda desta forma a poupar e manter massa muscular magra.

Adicionalmente, o extrato da laranja amarga (Advantra Z¨) foi notado um aumento bastante significativo na taxa metabólica em voluntários, sem evidência de efeitos cardiovasculares depois de uma dose única ou repetida. Quando fornecido a pessoas obesas, os investigadores mediram aumentos significantes nas taxas de perda de peso, devido quase completamente à perda de gordura (uma conseqüência de lipólise), novamente sem evidência de qualquer efeito colateral ou mudanças em parâmetros cardiovasculares, fazendo do extrato de laranja amarga uma adição nova excitante para programas que combinam dieta, exercício físico e agentes termogênicos para controlar a obesidade.